De tal modo nos habituamos à ideia de civis, incluindo crianças, poderem ser alvos legítimos, em tempos de guerra, que já quase só fazem notícia os episódios que resultam na morte de para cima de duas ou mais centenas de crianças. A não ser, claro, que sejam europeias ou ocidentalizadas. Neste caso, umas dezenas já nos deixam um pouco desconfortáveis. Nas últimas décadas, mas sobretudo nos últimos quase três anos, ninguém contribuiu tanto para isto (para o número de crianças vítimas de crimes de guerra e, simultaneamente, para o nosso adormecimento quanto a este facto) como o regime israelita. É este o regime responsável por mais de vinte mil crianças assassinadas em Gaza; quase sessenta mil órfãos nesse mesmo território; cerca de quatro mil crianças com amputações de pelo menos um membro; mais de 80% das crianças que sobreviveram aos bombardeamentos com sintomas de trauma severo; por todo o território ocupado da Palestina, entre 500 a 700 crianças detidas e incriminadas, a cada ano; dentre estas, 69% sujeitas a violência e abuso sexual durante o período de detenção. O regime israelita tornou Gaza o território mais perigoso do mundo para crianças.
Nas últimas semanas, vimos que o plano piloto aplicado em Gaza já escalou para outras zonas do Médio Oriente. E assim se manterá, se não for travado o maquiavélico plano da “Grande Israel”, ideia imperialista e mirabolante (mas, aparentemente, hoje, realista) de alargar as fronteiras do autodesignado Estado Judaico por todo o Médio Oriente e parte do Norte de África. Quiçá até um pouco mais além, já que, desde o Chipre, passando por Portugal, e até ao Chile, os colonos israelitas são fervorosos de terra e de imporem a sua religião (são eles próprios que falam de um Estado Judaico) a todos os cantos do mundo. Gaza não foi, não é uma excepção. Gaza foi o piloto, a normalização da acção impune, sem travões, em violação de todas as convenções pelos direitos humanos, que se irá manter como plano para esmagar qualquer força que se oponha aos imperialismo israelo-americano.
Por que razão a morte indiscriminada de crianças, que agora já nem merece o esforço de aparecer trasvestida como “efeito colateral”, não faz os pais de todo o mundo saírem à rua, enraivecidos, obstinados para que se condenem os culpados e se impeça a repetição uma e outra vez destes crimes? Por que razão não existe uma fatia substancial de pais portugueses a rebelarem-se contra o uso da Base das Lajes pelos americanos que vão matar 168 meninas numa escola iraniana? Assassinam-nas não por acidente, mas intencionalmente, em dois bombardeamentos separados por um intervalo de 40 minutos, como confirmado pela Reuters.
Uma semana depois do bombardeamento da escola onde se encontravam as 168 meninas, permitindo o governo português que os americanos utilizassem a Base dos Açores para a ofensiva contra o Irão e, portanto, implicando Portugal em acções que violam o direito internacional e constituem crimes de guerra, os pais portugueses não veem aparentemente razão para se revoltarem. Quantos destes se tornaram tão indiferentes que não se conseguem identificar com a mãe e o pai que choram cada uma daquelas meninas, que um dia foram à escola e já não voltaram a casa? As associações de pais que existem um pouco por todo o país, muitas vezes associadas a instituições educativas, culturais e desportivas, representam um bolo grande do setor social nacional. São milhares em todo o país. As suas vozes têm um peso enorme, havendo consenso sobre um tema.
Que tema pode trazer mais consenso do que não querer os filhos dos outros e os nossos assassinados? E, no entanto, onde estão estas associações de pais, nas marchas e manifestações de rua contra guerras? Ou que actividades suas reflectem sobre a crescente securitização nas nossas cidades e militarização das nossas fronteiras? Sobre a usurpação do nosso território por regimes externos para provocarem o sofrimento e a morte de crianças (iguais às nossas) em países terceiros? Se dúvidas existirem sobre o ataque intencional da parelha israelo-americana à infância e à parentalidade (particularmente à maternidade), olhem-se para os casos confirmados de violência reprodutiva. A ONU já confirmou que as forças de segurança israelitas destroem sistematicamente unidades de cuidados de saúde sexual e reprodutiva em Gaza, incluindo a clínica de fertilização in vitro de Al Basma, que continha cerca de 5000 embriões armazenados. A taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos em Gaza aumentou dez vezes, desde outubro de 2023. Está igualmente reportado o aumento exponencial de nascimentos prematuros. O leite artificial, fundamental para bebés que não conseguem ser amamentados, é um dos produtos essenciais que consistentemente tem sido proibido de chegar à população palestiniana pelo regime sionista. Quase há um ano, especialistas da ONU afirmavam que a taxa de aborto espontâneo em Gaza aumentou 300%. Devido à escassez de recursos, as cesarianas são feitas sem anestesia, e os médicos veem-se forçados a usar as lanternas dos telemóveis durante os períodos de falta de energia, enquanto decorrem as cirurgias. É o regime israelita a razão de 95% das mulheres grávidas ou a amamentar em Gaza estarem em condição de desnutrição grave.
Na última semana, depois das 168 meninas assassinadas no Irão, e mais 83 crianças no Líbano, os mísseis israelo-americanos caíram sobre o Hospital iraniano Shahid Hastel, forçando a evacuação dos bebés prematuros que lá estavam internados. A unidade de cuidados neonatais ficou destruída e alguns dos bebés que estavam a receber cuidados não sobreviveram. Assistimos à estabilização de um padrão de ataques deliberados à infância e à parentalidade, nas suas formas mais primárias, e a maior parte dos pais do mundo dorme sobre o assunto, cuidando que os filhos deles permaneçam quentes, a dormir em paz nas suas camas, à noite. Os incapazes de sentirem empatia pelos pais de crianças vítimas de crimes de guerra, noutras partes do globo, deviam pelo menos fazer um esforço para perceber quanto do seu conforto depende do sofrimento de outros. E deviam igualmente saber que as plutocracias são insaciáveis: depois dos filhos dos outros, virão ter com os nossos. Perda de direitos na parentalidade, direitos laborais mais fracos, baixos rendimentos, alto custo de vida, ausência de cuidados de saúde, escola pública empobrecida, controlo opressivo, digital e burocratizado das novas vidas, a destruição das iniciativas coletivas, e muitas, muitas redes sociais, entretenimento e junk food – tudo pés descalços e mansinhos, até nos virem roubar os filhos a casa.
Lisboa recebe exposição com obras de 25 fotógrafos de Gaza
NIT
“Gaza Habibti — Esperança e Perda” reúne obras de 25 fotógrafos palestinianos. Mostra na Galeria Monumental fica em Lisboa até sábado
Observador
Lisboa recebe exposição de fotógrafos palestinianos
RTP 1
“Minha Querida Gaza”: exposição de fotografia não se cala diante do “genocídio em curso"
Público - P3
"Durante os dias 30, 31 e 1, vão decorrer ações de sensibilização em cinco pontos do país para "chamar a atenção para o massacre de milhares de crianças palestinianas na ofensiva israelita". Julieta Almeida, porta-voz de uma das organizações envolvidas, admite que a continuidade da ofensiva israelita pode definir "o nosso futuro e o futuro dos nossos filhos".
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"Esta sexta-feira começam em várias cidades portuguesas ações de protesto e sensibilização em defesa dos direitos das crianças palestinianas e pelo fim da ofensiva israelita sobre a Faixa de Gaza, numa iniciativa promovida por um movimento de cidadãos em colaboração com o Coletivo pela Libertação da Palestina e o grupo Parents for Peace."
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"São várias ações pelo País para chamar a atenção para a crise em Gaza. Como explica o colectivo Parents for Peace, não podem ficar parados perante o genocídio. Hoje, em Lisboa, fazem uma ação nacional de sensibilização na Rua do Carmo. Segue-se Porto, Ericeira, Setúbal e Coimbra."
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"Perto de uma cena de pessoas juntou-se na sexta-feira, em Lisboa, para condenar a morte de milhares de crianças na Faixa de Gaza."
Ver
Numa acção de sensibilização focada no Dia Mundial da Criança, colectivos apelaram "ao fim do genocídio em Gaza" e denunciaram o "massacre de milhares de crianças palestinianas".
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"Protesto terá lugar em frente ao Festival da Comida do Continente, este sábado no Queimódromo do Porto, e denuncia também os investimentos do grupo SONAE em empresas tecnológicas de Israel."
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"O financiamento europeu está, uma vez mais, a ser disponibilizado para apoiar e silenciar os crimes de Israel."
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"A Galeria Monumental recebe a exposição de fotografia Gaza Habibti, um testemunho vibrante da cultura de um povo que luta contra o apagamento forçado pelo genocídio em curso na Palestina, acompanhado por um programa cultural que nos convoca a reflletir sobre a nossa humanidade comum."
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"A exposição de fotografia “Gaza Habibti – Esperança e Perda” é inaugurada hoje na Galeria Monumental, em Lisboa, reunindo obras de 25 fotógrafos do território e uma instalação digital, com uma perspetiva do quotidiano sob a ocupação de Israel."
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Cinema Ideal – 11 anos : 11 filmes - Casa da Imprensa
"O Cinema Ideal dedica ainda duas sessões à atualidade e, em particular, à Palestina, com mais uma sessão de NO OTHER LAND, que estreou neste mesmo espaço em fevereiro passado. Além disso, será feita a antestreia de COM A ALMA NA MÃO, CAMINHA (Put Your Soul in Your Hand and Walk), o filme-diálogo entre a realizadora iraniana exilada Sepideh Farsi e a fotógrafa palestiniana Fatma Hassona (que viria a ser assassinada no dia em que se soube que o filme teria a sua estreia mundial em Cannes)."
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"(...) e duas sessões dedicadas à Palestina. Para além do regresso aos ecrãs de No Other Land, será apresentada em antestreia a obra Com a Alma na Mão, Caminha (Put Your Soul in Your Hand and Walk, 2025), um diálogo cinematográfico entre a realizadora iraniana exilada Sepideh Farsi e a fotógrafa palestiniana Fatma Hassona, assassinada no dia em que foi anunciada a estreia mundial do filme em Cannes, na ACID."
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"As imagens de Gaza Habibti – Esperança e Perda, um festival com F grande, as linhas de Muscarium, ópera com Tolerância & Irreverência e Os Anos de Ouro do Cinema Italiano."
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"Exposição itinerante e colectiva que reúne o trabalho de 25 fotógrafos palestinianos sobre a vida quotidiana sob ocupação."
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"A Galeria Monumental recebe a exposição de fotografia Gaza Habibti, um testemunho vibrante da cultura de um povo que luta contra o apagamento forçado pelo genocídio em curso na Palestina, acompanhado por um programa cultural que nos convoca a reflletir sobre a nossa humanidade comum."
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"É também através da expressão artística que a realidade do povo palestiniano chega a Portugal. Entre 2 e 6 de setembro, a Galeria Monumental, em Lisboa, recebe a exposição Gaza Habibti, uma mostra que reúne o trabalho de 25 fotógrafos palestinianos."
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"Gaza Habibti is a compelling traveling exhibition of photography and storytelling, centered on the Palestinian voices of Gaza, weaving visual narratives of life, pain, memory, and resistance before and after the massacre that began in 2023, states the collective Parents for Peace, responsible for presenting the exhibition in Portugal."
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